quinta-feira, 2 de agosto de 2012

O amor seja sem fingimento...



Essa frase da Bíblia sempre me inquieta. 
Se houver fingimento, já não é amor. Assim, insisto em pensar. 

Quando o apóstolo adverte "o amor seja sem hipocrisia" (Romanos 12.9), pede ao grupo de cristãos em Roma, os quais ele não conhecia pessoalmente, que façam um esforço pela sinceridade. Amor naqueles tempos estava ligado à lealdade, ou seja, a uma ligação no sentido de defender a vida um dos outro. Um general de guerra amava o Imperador, por quem lutava, e dava sua vida se preciso fosse.

Paro para pensar nesse momento, e vejo que há muita hipocrisia em nossos amores e amares. Isso porque persiste uma ideia exageradamente romântica do amor, a qual correspondemos em nossos relacionamentos. Se pergunto quais os sinais que identificam o amor de uma pessoa por outra, imagino respostas como: querer proximidade, admiração profunda e o desejo de vê-la agradada, feliz. Parece que uma "amnésia" da realidade nos atinge e simplesmente sublimamos os aspectos desarmoniosos, como se na união de vidas, a lealdade não nos custasse, muitas vezes, negociações e mais negociações.


A hipocrisia, um segundo rosto que mostramos como se fosse primeiro, deforma o que realmente pensamos e sentimos quanto a quem amamos. Assim, fingimos gostar de seus hábitos, para não desagradar, ou aplaudimos ideias das quais não estamos convencidos, por conta da admiração profunda que temos por outrem. A coisa vai se complicando quando passamos a minimizar nossos incomodos iniciais. Com o tempo entramos em conflito. A preço de nosso pensar e querer, mantivemos os ideiais românticos. Amamos em cor-de-rosa aquilo que tem matizes incontáveis, e nos deparamos com a grande frustração: não conseguimos mais corresponder àquela ideia de amor.

Falta-nos, sim, sinceridade no amor. A sinceridade que carecemos é a de crermos que o amor não é uma ligação harmônica a outra, ou outras pessoas. Mas uma aliança de comprometimento, ainda que existam pontos de divergência.

Nesse sentido, a sinceridade nos desnuda os princípios, as convicções, os desejos. Diante do outro somos, simplesmente. Entretanto, somos inteiramente. Quando amamos alguém mediante desdém do que acreditamos, desfazemos uma das três bases do amor, o princípio do amor a si mesmo. O "banco" de base triangular fica "em falso", de forma que já não se pode chamá-lo a amor. E ao negar-se a si próprio o amor, logo passamos a negligenciar outra base, o amor ao próximo, ironicamente, o objeto de nosso 'amor'.  Ah, a terceira base, o amor a Deus... "amarás o Senhor teu Deus acima de todas as coisas, e a teu próximo como a ti mesmo" (Mateus 22. 37,40). E o banco continua capenga!

Jesus anunciou que, nos tempos de fim (da humanidade como conhecemos) o "amor esfriará de quase todos"(Mateus 24.11). Pergunto se algum dia compreendemos o que de fato é amor. Conjecturamos muito, mas limitamos, ainda mais, seu alcance, não apenas em direção a outros, mas em direção invers, em direção ao nosso lado de dentro! 


Enfim, com o que estamos comprometidos? A quem e ao que somos leais com a própria vida? Parece que oscilamos entre amores egocentrados, objetos de nossos puro desejo, e amores hipocritas, no sentido de que desdenham de nosso ser verdadeiro. A pergunta também é minha: Como é possível amar no meio caminho desses extremos? Aí haveria, finalmente, a sinceridade?

Sempre precisamos de dicas práticas. Então aí vão algumas. Oxalá demos esses contornos às nossas atitudes!

1 Coríntios 13

"Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine.
E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.
E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria.
O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece.
Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal;
Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade;
Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
O amor nunca falha; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá;
Porque, em parte, conhecemos, e em parte profetizamos;
Mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado.
Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino.
Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido.
Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor."

Encontrei esse link e curti muito, letra e voz "Tribo de Louvor":
 
   





















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